Congregação Mariana

Personalidade do Congregado Mariano
por Pe. Antônio José Albertine - Vice-Assistente da CNCMB

1. O que é um Congregado Mariano:
É um cristão católico que busca o crescimento de sua vida, no seguimento de Jesus Cristo e de uma ardentíssima devoção, reverência e amor filial a Nossa Senhora, assim, está sempre a procura de sua “santidade pessoal” e do “próximo”.

2. Por que se chama Congregado?
Porque ele “se congrega” a outros animados dos mesmos desejos, sob a direção de um sacerdote, quando houver, ou sob a orientação de um Congregado Mariano já experiente, formando a “Congregação Mariana”.

3. Isto não é querer ser mais do que os outros?
Não. Apenas quer encontrar a sua identidade de cristão leigo engajado, aprendendo a conviver e conhecer a Jesus Cristo, e através desta experiência íntima, deixando-se amar e amando cada vez mais o Deus da Vida. Quer ser melhor do que seria se vivesse uma vida comum do católico. Mais ainda, o congregado deseja que todos sejam iguais a ele e até melhores. Ser Congregado não é pois “ser mais do que os outros”; é simplesmente servir mais a Deus e a Maria Santíssima.

4. Que quer dizer buscar a Santificação ?
Santificação é a conservação e aumento da graça de Deus em nós, pelos Sacramentos e pela prática das virtudes cristãs.
Santidade não é vida milagrosa, penitências extraordinárias. É sim, o aumento da graça em nós, do jeito que somos e no ambiente em que vivemos, pois os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um.
A santidade é para todo cristão e muito mais para o congregado. Para ser santo, deve ele sempre aumentar a graça da amizade de Deus recebida no batismo, juntamente com os Dons do Espírito Santo e as virtudes teologais (Fé, Esperança e Caridade). Deve procurar adquirir cada vez mais as virtudes morais: justiça, prudência, temperança e fortaleza que são à base de todas as outras virtudes.

5. Que quer dizer “procurar a salvação e santificação do próximo” ?
O congregado considera “irmão” todo homem, sem lhe importar a classe social, o credo, ou título, a posição social ou a função eclesiástica. Sente-se responsável e solidário com seus irmãos, principalmente com os mais necessitados.
O congregado deve levar o próximo, primeiro: a praticar a religião e a viver na graça de Deus, porque sem isso não há salvação; segundo: a aperfeiçoar sua vida cristã pela prática, até heróica das virtudes: do perdão, da correção fraterna e do amor.

6. Por que se diz que o congregado faz isso tudo “animado pelo espírito da devoção a Nossa Senhora?”
Porque pertencemos a uma associação de fiéis leigos com o título “Mariana”, mas principalmente porque, como certa vez afirmou o Papa Pio XII, na carta Bis Saeculari: “Os congregados professam uma singular devoção para com a Mãe de Deus, e a Ela se liga pela consagração em virtude da qual se compromete, ainda que não sob pecado, a combater com todo esforço sob a bandeira da Virgem Ssma, a perfeição cristã e salvação eterna própria e dos outros”.

7. Donde provém esse espírito de devoção a Nossa Senhora ?
Provém de nossa conversão diária e principalmente da vivência em nossa vida da “fidelidade a nossa consagração”.
O espírito do congregado mariano e da congregação é aquele modo de ser e pensar próprio, que o deve distinguir dos membros de outros movimentos e/ou associações.

8. Que é a consagração do congregado mariano ?
O Papa Pio XII em uma alocução no ano de 1945, deixou claro para nós o que é a nossa consagração. Hoje, no início do terceiro milênio, podemos fazer eco às sábias palavras outrora proferidas: “A consagração é um dom completo de si mesmo para a toda a vida e para a eternidade. Um dom não de pura fórmula ou de puro sentimento, mas efetivo, que se verifica na intensidade da vida cristã e mariana, na vida apostólica, que faz do congregado mariano o ministro de Maria, e por assim dizer, suas mãos visíveis na terra”.

9. Quais são as palavras mais importantes da fórmula que constituem propriamente a consagração ?
São estas: “… movido contudo pela vossa admirável piedade e pelo desejo de vos servir, vos elejo hoje em presença de meu Anjo da Guarda e de toda a Corte Celeste, por minha especial Senhora, Advogada e Mãe e FIRMEMENTE PROPONHO SERVIR-VOS SEMPRE E FAZER QUANTO PUDER PARA QUE DOS MAIS SEJAIS TAMBÉM FIELMENTE SERVIDA E AMADA”.

10. Explicando um pouco essas palavras.
Há três partes muito importantes nesta fórmula:
Servir: o congregado está a serviço de Nossa Senhora. Tamanha responsabilidade.
Sempre: Não se pode voltar atrás. Viver a consagração requer um compromisso sério, por isso, devemos preparar muito bem nossos candidatos e só devemos permitir a consagração, após o seu perfeito entendimento.
Fazer quanto puder: o congregado se compromete ao apostolado; a fazer todo o possível para conseguir implantar a devoção à Maria Santíssima no meio em que vive.
Portanto um congregado que nunca convidou um amigo a ser congregado, que nunca convidou alguém a rezar a oração do terço, ou pelo menos uma Ave-Maria, não está vivendo a sua consagração.

11. O congregado depois de sua consagração já não pode mais deixar de ser congregado ?
Pode. Vamos fazer uma comparação com o sacramento da Ordem. Este é um sacramento que imprime caráter. A consagração não é um sacramento e sim um sacramental, uma via acessória para nossa santidade. É importante notar que a consagração é uma “promessa” e não “voto”. O religioso por seus votos abandona o mundo, deixa de ser secular; o congregado pelo contrário permanece no mundo, é secular. Então, pode o congregado deixar de ser congregado, sair ou ser afastado da Congregação.

12. Quando o congregado que por justos motivos não puder freqüentar os atos da Congregação ?
Permanece congregado. É o caso dos que se mudam para lugares onde não há Congregação Mariana. Neste caso, mesmo sozinho deverá ser uma referência para as pessoas a sua volta, fazendo valer seu compromisso na consagração. Se os exemplos arrastam, quem sabe se em breve neste novo local estará surgindo uma nova Congregação Mariana.

13. Pode haver congregado honorário ?
Sim, podemos citar dois casos diferentes:
Primeiro caso: Permanência: Um congregado veterano, atualmente, por sua posição social, idade e outros motivos justos encontra maior dificuldade em freqüentar a CM. Ele permanece congregado pois, se é um cristão exemplar, constitui uma glória para a CM, sobretudo quando é de elevada posição social.
Segundo caso: Admissão: Somente em casos excepcionais, por altas benemerências para com a CM, unidas a uma vida exemplar, poderia alguém ser admitido a participar da CM sem viver a sua vida coletiva.
Ainda assim, tanto no primeiro como no segundo caso, sempre se poderá conseguir que esses elementos participem de alguns atos coletivos da CM, como por exemplo: Dia Nacional do Congregado Mariano, Aniversário da CM, recepção de novos congregados, festa da padroeira, etc…

14. Esta personalidade católica do congregado está de acordo com os nossos tempos ?
O nosso tempo exige:
a busca da santidade;
a vivência da oração;
a Eucaristia dominical;
o sacramento da reconciliação;
o primado da graça (haver dentro das congregações marianas espaço para a oração pessoal e comunitária que é um princípio essencial da visão cristã de vida);
escuta da palavra;
anúncio da palavra;
buscar a espiritualidade de comunhão;
respeitar as variedades de vocações;
trabalhar pelo empenho ecumênico;
abrir-se à caridade fraterna.

Sigamos em frente, com esperança! Diante da congregação mariana abre-se um novo milênio como um vasto oceano onde devemos nos aventurar com a ajuda de Cristo. O mandato missionário introduz-nos no terceiro milênio, convidando-nos a ter o mesmo entusiasmo dos cristãos da primeira hora; podemos contar com a força do mesmo Espírito que foi derramado no Pentecostes e nos impele ainda hoje.
No início deste novo século, o nosso passo tem de tornar-se mais rápido para percorrer as estradas do mundo. E, neste caminho acompanha-nos a Virgem Maria a quem foi confiada o terceiro milênio, como “estrela da nova evangelização“. Maria Santíssima é a aurora luminosa e guia segura do nosso caminho. “Mulher, eis aqui os teus filhos” (Jo 18,26).
Assim, devemos ocupar nosso espaço para a construção do Reino, fazendo em nosso trabalho “tudo para a maior glória de Deus“, lembrando de nossas gloriosas tradições.
“Duc in Altum” congregados marianos, vamos nos lançar para as águas mais profundas e mostrar que as congregações marianas são de uma força espiritual de grande importância para a causa católica do Brasil.


Fonte:
Vida Mariana – Pe. Paulo J. de Souza, SJ
Curso de Formação de Discípulos – Evangelização 2000
Regra de Vida das Congregações Marianas
Regra Comum das Congregações Marianas
Carta Apostólica “No Início do Novo Milênio” – Papa João Paulo II
Colaboração e adaptação: Eduardo Caridade
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